Loading...

BfK Ideas premeia “reciclagem” de fígados, terapêutica para feridas cutâneas, construção sustentável e gamificação para disléxicos

 

Edição 2022 contou com a participação de 29 Instituições de Ensino Superior

 

Já são conhecidos os quatro projetos vencedores da edição 2022 do BfK Ideas, uma iniciativa da ANI que visa impulsionar a transferência de conhecimento das Instituições de Ensino Superior para o tecido empresarial. Nesta edição do concurso estiveram representadas 29 Instituições de Ensino Superior nacionais.

 

A final decorreu no Centro de Congressos da Alfândega do Porto, tendo sido distinguidos quatro projetos:

 

Trata-se de uma tecnologia de bioengenharia que permitirá reabilitar órgãos humanos, tornando-os totalmente transplantáveis. Esta inovação surge para colmatar o problema que existe da qualidade dos órgãos disponíveis para transplante, especificamente o fígado. Segundo a Orgavalue, todos os anos, são desperdiçados 28.000 órgãos, que poderiam salvar a vida de 50.000 pessoas.

 

A solução baseia-se num líquido de limpeza que remove as células, deixando uma matriz não celular com a matriz orgânica apropriada. Então, novas células humanas saudáveis são introduzidas na matriz para bioengenharia de um novo órgão.

 

O processo é otimizado pela máquina de perfusão da Orgavalue. Uma vez concluído, o órgão de bioengenharia pode ser implantado no paciente usando as técnicas e equipamentos de transplante existentes.

 

A Orgavalue está pronta para iniciar o desenvolvimento do processo de fabricação em pequena escala, suscetível às Boas Práticas de Fabricação (BPF) e entrar em testes pré-clínicos piloto. É expectável que o primeiro ensaio pré-clínico de Fase 1 ocorra no final de 2025 com o fígado de bioengenharia desenvolvido. 2028 é o ano em que a Orgavalue espera entrar no mercado.

 

PlatGen® é um produto terapêutico, eficaz na regeneração de feridas complexas nos animais domésticos. Apresenta capacidade antimicrobiana e analgésica, sendo biocompatível, biodegradável e sustentável.

 

Sendo as feridas cutâneas muito comuns na clínica diária de cães e gatos, este produto surge como uma alternativa biológica, ecológica e mais económica para solucionar um problema complexo, moroso e muito dispendioso. Mais do que cicatrizar, estimula e acelera os mecanismos de regeneração tecidular e é constituído por proteínas de elevado valor biológico derivadas de plaquetas e leucócitos. Mesmo as lesões de grande dimensão e infetadas são resolvidas com a aplicação de Platgen® de forma eficaz, terminando numa cicatriz vestigial.

 

O produto é aplicado diretamente na lesão, sendo absorvido de uma forma natural ao longo do tempo, diminuindo a frequência da mudança de penso. Consequentemente, diminui os resíduos e desperdícios produzidos em contexto clínico, assim como os gastos associados a diferentes consultas/deslocações, incluindo intervenções cirúrgicas, que podem ser complexas e que comportam riscos, associados à anestesia.

 

O Platgen® é já um produto com patente em curso e tem como alvo inicial a aplicação em feridas de cães e gatos, com provas científicas de aplicação xenogénica. No futuro, os promotores pretendem que a sua utilização se estenda a outras espécies animais, incluindo humanos.

 

Apesar de o setor da construção representar 13% do PIB mundial, a sua pegada ambiental e baixa produtividade são algumas das suas fraquezas. Para os promotores do projeto BOB, a digitalização tem de chegar a este mercado, permitindo-lhe evoluir para materiais inovadores, redução de recursos utilizados e zero desperdício.

 

Para que tal aconteça, conceberam uma solução inovadora que irá atuar na indústria da construção civil em três vertentes: digitalização do processo comercial de empresas de impressão 3D de betão e outras argamassas; impressão 3D de vários elementos decorativos e estruturais, nomeadamente para projetos de renovação urbana e impressão de corais e outras estruturas baseadas na natureza; investigação e desenvolvimento de materiais de impressão através do aproveitamento de resíduos industriais, minas, entre outros.

 

A investigação, que está a ser feita através do C-Made, da Universidade da Beira Interior, já está no terreno, nomeadamente no município do Fundão, onde os promotores estão a scanear prédios devolutos e a desenvolver módulos para encaixarem nas estruturas existentes, quase como se de um “tetris” se tratasse.

 

O projeto BOB está ainda a desenvolver um tipo de betão absorvente de CO2.

 

Segundo os promotores do projeto, uma em cada cinco pessoas em todo o mundo sofre de dislexia e 50% das crianças abandonam o ensino por causa desta perturbação, caracterizada essencialmente pela dificuldade da leitura. A intervenção precoce, através de terapias, permitiria reabilitar muitas destas crianças, mas, na maioria dos casos, o diagnóstico é tardio e as terapias dispendiosas.

 

Foi para ajudar as crianças com dislexia que surgiu o projeto “As Aventuras de Lexi”, um jogo que permite, de forma divertida, ultrapassar as limitações de aprendizagem. O conceito assenta na oportunidade de as crianças interagirem com as várias personagens e obter uma satisfação a jogar e a praticar os exercícios propostos, sempre através de desafios que tragam motivação. O jogo permite ainda aos pais, educadores, terapeutas e psicólogos o acesso aos dados de resultados dos minijogos de forma a poderem acompanhar o desenvolvimento da criança ao longo do período de jogabilidade.

 

Com a marca registada e algum trabalho de campo com crianças disléxicas, o projeto pretende submeter o registo de patente no próximo ano. Os seus clientes serão pessoas individuais, escolas e municípios e, além do mercado nacional, a marca projeta entrar também no Brasil.

 

João Mendes Borga, Administrador da ANI, acredita que a investigação científica produzida nas instituições de ensino superior é cada vez mais surpreendente, incentivando os vencedores do BfK Ideas a aproveitarem todas as oportunidades para chegarem ao mercado. Durante a sessão relembrou ainda a “a importância de estas entidades cooperarem entre si e com o tecido empresarial para que a transferência do conhecimento em Portugal não se perca e contribua para uma economia sustentável e resiliente”.